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"Você fez uma boa pergunta hoje?" Por que o judaísmo leva a dúvida tão a sério

Muita gente aprendeu que duvidar é falta de fé. Na tradição judaica, a pergunta é o caminho por onde a resposta entra.

Livros antigos numa estante

O físico Isidor Rabi, Prêmio Nobel de 1944, contava que a mãe dele não perguntava, quando ele voltava da escola, o que tinha aprendido naquele dia. Ela perguntava: "Você fez uma boa pergunta hoje?" Ele dizia que foi isso que o fez virar cientista.

É uma pergunta muito judaica. E ela contrasta com o que muita gente ouviu em casa. Talvez você tenha feito, criança, numa mesa de almoço de domingo, aquela pergunta que guardava havia semanas: "Se Deus existe, por que tanta gente sofre?" Talvez alguém tenha rido. Talvez a avó tenha respondido, séria, que isso não se pergunta. E a pergunta foi para alguma gaveta, onde às vezes continua até hoje, junto com a suspeita de que quem tem dúvida tem pouca fé.

A tradição judaica pensa o contrário, e tem uma noite inteira do ano para provar.

Se você tem uma pergunta guardada, mais abaixo tem um lugar para levá-la. Primeiro, a ceia. Ver o convite ↓

A noite das perguntas

O Sêder de Pessach, a ceia da Páscoa judaica, é talvez a noite mais importante do calendário judaico em família. E ela começa com as crianças perguntando: "Por que esta noite é diferente de todas as outras?"

A ceia inteira é montada para provocar perguntas. A comida vem num jeito estranho, os gestos são diferentes, tudo para alguém levantar a mão e dizer "por quê?". O texto fala de quatro filhos: o sábio, o rebelde, o simples e o que nem sabe perguntar. Para esse último, a instrução é abrir o caminho e ajudá-lo a chegar à própria pergunta.

O Rabino Yitzchak Ginsburgh, mestre de Cabalá e Chassidut em Israel, comenta essa noite explicando um texto do Sfat Emet, um mestre chassídico do século 19. A pergunta que nasce da curiosidade e do pensamento da própria pessoa, diz ele, é o que abre espaço para entender. Ela puxa quem pergunta para dentro da resposta, e cada um recebe a resposta na medida certa para si. O objetivo, nas palavras do Sfat Emet, é "trazer a luz para dentro". E sobre quem tem dificuldade de perguntar, o Rabino é direto:

"O principal é que ele pergunte."

Rabino Yitzchak Ginsburgh

No Wisdom Rush a aula só termina quando acaba a última pergunta, e isso inclui a sua. É ao vivo, todo domingo e gratuito para os primeiros inscritos: veja aqui.

Uma aula por semana, ao vivo

Para continuar a conversa deste texto com um professor e outras pessoas curiosas.

  • Aula ao vivo no Zoom, em português
  • Domingos, 19h (Brasília). A primeira é em 1º de novembro
  • 1h a 1h30, e perguntas até a última
  • Gravação de cada aula
  • Grupo fechado no WhatsApp
  • Os 100 primeiros entram grátis, para sempre. Sem cartão.

Só nome e e-mail. Leva 30 segundos.

Restam95de 100 vagas grátis

Livros abertos

Um livro feito de discussões

Na Ética dos Pais, uma coletânea de ensinamentos dos sábios de quase dois mil anos atrás, tem uma frase curta: o tímido não aprende. Quem tem vergonha de perguntar fica parado.

O Talmud, o grande livro de estudo da tradição judaica, é praticamente feito de perguntas. Página após página, os sábios discutem, contestam, levantam objeções. Às vezes a discussão termina sem resposta, e o texto registra isso com uma palavra, teiku: a questão fica em aberto. Ninguém ali trata isso como derrota. Há até um ditado em ídiche que resume o espírito da coisa: de uma pergunta ninguém morre.

Para a tradição judaica, o problema nunca foi a pergunta. Preocupante é quem para de perguntar.

Se você tem uma pergunta guardada

Escreva. Pode ser sobre Deus, sobre sentido, sobre você. Muita gente carrega uma pergunta grande há anos sem nunca ter posto em palavras, e só escrever já muda a relação com ela.

Depois, procure gente que não tenha medo dela: um professor, um amigo, um livro, um grupo onde perguntar seja bem-vindo. Aquela pergunta da mesa do almoço provavelmente não estava errada. Foi feita para as pessoas erradas.

E não tenha pressa de fechar. Algumas perguntas acompanham a gente por muito tempo, e é por causa delas que a gente cresce.

O Wisdom Rush é um lugar feito para isso. Uma vez por semana, ao vivo no Zoom e em português, um professor que estuda há anos os ensinamentos do Rabino Ginsburgh parte da porção semanal da Torá e abre espaço para as perguntas de todo mundo, sem relógio. A primeira aula é no domingo, 1º de novembro, às 19h (Brasília). As 100 primeiras vagas são gratuitas para sempre e não pedimos cartão. Traga a sua pergunta: inscreva-se aqui.

Reserve sua vaga grátis

A primeira aula é no domingo, 1º de novembro.

  • Aula ao vivo no Zoom, em português
  • Domingos, 19h (Brasília). A primeira é em 1º de novembro
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  • Os 100 primeiros entram grátis, para sempre. Sem cartão.

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