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Destino ou escolha? O que a tradição judaica diz sobre achar a pessoa certa
Uma amiga diz "se for para ser, vai acontecer". Outra diz "você é exigente demais". Os sábios judeus dariam razão às duas, e isso muda o jeito de procurar alguém.

Jerusalém, uns dois mil anos atrás, um dia de verão. As moças da cidade saem para dançar nas vinhas, todas de branco. As roupas são emprestadas, de propósito, para que nenhuma passe vergonha por não ter um vestido bonito. E elas dizem aos rapazes que estão olhando: "Jovem, levanta os olhos e vê quem você escolhe."
A cena está na Mishná, um dos textos mais antigos da tradição judaica, e acontecia no 15 de Av, uma espécie de dia do amor no calendário judaico. Vale guardar essa imagem, porque ela responde a uma pergunta bem atual.
A Júlia tem 26 anos e está no terceiro aplicativo de relacionamento. Desliza perfis no ônibus, no intervalo do trabalho, antes de dormir. Às vezes sai um encontro, e quase sempre acaba igual: conversa boa, um silêncio estranho, a sensação de que não era bem aquilo. Ela não sabe se espera a pessoa certa aparecer ou se precisa escolher alguém de uma vez.
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O lado do destino
A tradição judaica leva a sério a ideia de alma gêmea. O Talmud ensina que, quarenta dias antes de uma criança ser formada, uma voz do céu anuncia com quem ela vai se casar. Em ídiche tem até palavra para isso, bashert, "o que foi destinado". É uma ideia bonita e consola. Se fosse a história toda, porém, bastaria sentar e esperar.
O lado da escolha
O Rabino Yitzchak Ginsburgh chama o 15 de Av de "o dia de escolher". Ele o compara com outra data em que, segundo a mesma Mishná, também se arranjavam casamentos, o Yom Kipur. Nos casamentos ligados ao Yom Kipur pesavam família e origem, e a sensação de que tudo vem do céu. No 15 de Av o que conta é a escolha pessoal e a atração entre os dois, que muitas vezes nasce justamente das diferenças.
Para ele, é na escolha livre que a gente encontra a providência divina. Deus sabe tudo de antemão e mesmo assim a escolha é de verdade. Quem escolhe com consciência participa do próprio destino. O Rabino escreveu um livro sobre isso, Consciousness & Choice, e a ideia central já está no título: quanto mais você cresce por dentro, melhor você escolhe.
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Como o amor cresce
Em outro livro, The Mystery of Marriage, o Rabino descreve três estágios do amor de um casal. No primeiro, os dois ainda se veem como pessoas separadas, e amar é aprender a virar a atenção para o outro. Ele escreve:
"O amor retificado consiste em aprender a dirigir o seu amor e a sua preocupação para outra pessoa."
Rabino Yitzchak Ginsburgh, The Mystery of Marriage
No segundo estágio, o "eu" de cada um se amplia e passa a incluir o outro. A distância já não enfraquece a ligação, e os altos e baixos são vividos juntos. No terceiro, os dois passam a se sentir uma coisa só. Isso leva uma vida inteira, e ninguém começa por aí.
Para quem está procurando, essa ordem ajuda a fazer perguntas mais úteis antes do próximo encontro. Estou procurando alguém para cuidar, ou só alguém que cuide de mim? Com essa pessoa eu atravessaria uma fase difícil? E uma que pega muita gente: estou esperando sentir que é "a pessoa da minha vida" já no terceiro encontro? Muita gente descarta boas pessoas porque quer sentir logo no começo o que só se constrói com o tempo.
E tem o conselho das moças nas vinhas, que serve para aplicativo também: levante os olhos. Olhe além da foto. Às vezes a pessoa certa é a que é diferente de você.
Na semana seguinte, a Júlia não apaga os aplicativos. Muda a pergunta. Em vez de "essa pessoa é perfeita?", passa a pensar "eu conseguiria cuidar dela? A gente seria um time?". E aceita um segundo encontro com alguém que no primeiro não causou fogos de artifício, mas fez ela se sentir em casa.
Se você está nessa fase de procurar, estudar o assunto com calma ajuda. No Wisdom Rush, um professor que estuda há anos a obra do Rabino Ginsburgh dá uma aula ao vivo por semana no Zoom, em português, e responde pergunta até a última. Começa no domingo, 1º de novembro, às 19h (Brasília), e cada aula fica gravada para quem perder. São 100 vagas gratuitas para sempre, sem cartão. Reserve a sua.
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A primeira aula é no domingo, 1º de novembro.
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Júlia é uma personagem ilustrativa.